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Ensinando Scratch em Ananindeua

Seis sábados, doze crianças, e o projetor que não queria cooperar.

Ensinando Scratch em Ananindeua

A sala não tinha ar condicionado, o projetor piscava a cada vinte minutos, e as cadeiras eram pequenas demais pra metade da turma. Ensinamos mesmo assim.

Como começou

Em 2016, uma professora que eu admirava me fez uma pergunta pra qual eu não tinha boa resposta: “Você sabe programar. O que tá fazendo pra compartilhar isso?” Uma semana depois a gente estava procurando centros comunitários em Ananindeua, a cidade vizinha de Belém, buscando um com tomadas suficientes e paciência o bastante.

O bom de ensinar criança a programar é que elas não têm noção do que é difícil. Elas só tentam.

Chegamos numa biblioteca pública pequena que cedeu uma sala nos sábados de manhã. Doze laptops emprestados de um laboratório da universidade. Scratch, porque funciona offline e porque a sintaxe em blocos deixa o foco na lógica em vez de typos.

O que eu não esperava

Eu tinha preparado aulas sobre loops e variáveis. As crianças passaram por isso em duas horas. O que elas realmente queriam era:

  • Som. Queriam que tudo fizesse barulho.
  • Sprites parecidos com elas, com seus bichinhos, ou com personagens favoritos.
  • Um jeito de compartilhar projetos entre si imediatamente.

O primeiro “Aha” de verdade não foi uma criança entendendo um while. Foi uma criança percebendo que podia copiar o projeto do colega ao lado, mudar um parâmetro, e ver o sprite do gato voar pela tela em vez de andar. Foi aí que elas pararam de pedir permissão e começaram a pedir ideias.

O efeito que ficou

Duas das crianças daquele grupo estão em cursos ligados a computação hoje. Uma delas me mandou mensagem ano passado perguntando sobre Elixir. Não acho que os sábados causaram isso — mas acho que tornaram pensável.

Ainda ensino de vez em quando. Cidade diferente, crianças diferentes, mesmo projetor piscando.

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